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A ocorrência da broca da cana-de-açúcar (Diatraea saccharalis) em milho no Brasil.

A broca da cana-de-açúcar, conhecida no meio científico como Diatraea saccharalis, vem sendo apontada como séria ameaça à cultura do milho no Brasil, principalmente nas regiões sudeste, centro-oeste e sul. Os danos causados pelas larvas deste inseto são através da alimentação dentro do colmo da planta. Por este hábito, as medidas convencionais de controle através de inseticidas químicos direcionados para a larva são praticamente ineficientes.

Os prejuízos são maiores em áreas onde ocorrem ventos moderados a fortes, pois provocam a quebra da planta abaixo da espiga, antes do enchimento total dos grãos. Esta quebra também pode originar perdas em relação à menor eficiência na colheita mecânica ou devido ao aumento no custo de produção pela necessidade de colheita manual complementar. Ainda não existe inseticida para o controle dessa praga na cultura do milho. Métodos alternativos como o controle biológico devem ser priorizados.


CICLO DE VIDA:

Ovos:
Os ovos são depositados em agrupamentos, e se sobrepõe uns aos outros como as escamas de um peixe. Um agrupamento de ovo pode conter de dois a 50 ovos, com ovos depositados tanto na superfície superior da folha como na inferior.

Larvas:
As larvas de uma mesma postura de ovos eclodem quase ao mesmo tempo, ou com algumas horas entre uma e outra. As larvas tendem a ficar agregadas no cartucho das plantas de milho e começam a alimentar quase que imediatamente após a eclosão. Eles podem se alimentar do tecido de folha ou fazer galerias na nervura principal. Após a primeira ou segunda troca de pele entram no colmo.

Pupa:
A transformação em pupa acontece dentro da planta, em um túnel criado pela larva. A larva limpa e amplia o túnel antes da transformação, deixando somente uma fina camada de tecido de planta que é removido pela mariposa na saída da planta.

Adulto:
Os adultos são noturnos, permanecendo escondido durante as horas de luz do dia. A oviposição começa ao entardecer e continua ao longo da noite. As fêmeas podem depositar ovos por até quatro dias. A duração da fase de adulto é entre três e oito dias.

DANO E IMPORTÂNCIA ECONÔMICA:

Diatraea saccharalis é conhecida há tempos como praga da cana-de-açúcar, e atualmente apresenta a mesma condição na cultura do milho. As larvas danificam o colmo da planta, debilitando-a e chegando a causar a sua morte. A quebra da planta é muito comum, especialmente em plantas maduras. Nas plantas jovens, o interior do cartucho é danificado e ocasiona o sintoma conhecido como coração morto.
As larvas prejudicam o milho atacando o cartucho e alimentando-se no tecido jovem em desenvolvimento. Se o dano for leve, o resultado pode estar somente uma série de furos na lâmina foliar. Mas se o dano é elevado, o ponto de crescimento da planta pode ser morto. Nas plantas mais desenvolvidas, as larvas penetram no colmo e fazem as galerias. As larvas mais desenvolvidas enfraquecem as plantas que ficam propensas ao quebramento. Danos na espiga também podem ocorrer.
As perdas em rendimentos do milho têm sido atribuídas a um aumento da esterilidade, redução no tamanho da espiga e do grão, e uma interferência na colheita mecânica.
Ao atacar o interior do colmo da planta, as larvas ocasionam problemas fisiológicos que podem levar a perdas entre 10 e 50% nos rendimentos. Danos nos entrenós próximos à espiga produzem interferência na circulação de nutrientes elaborados pela planta de uma maior quantidade de folhas do que aqueles danos produzidos longe da espiga.


CONTROLE BIOLÓGICO:

A importância de inimigos naturais de D. saccharalis é principalmente reconhecida em cana-de-açúcar, seu hospedeiro principal.

Os parasitóides que atuam sobre os ovos da praga como a vespa Trichogramma, possivelmente sejam os potenciais candidatos para o controle da praga em milho.

Outro parasitóide de importância relevante é a vespa Cotesia flavipes. No Brasil, em cana-de-açúcar basicamente o controle da praga é feito com inimigos naturais. O programa de controle biológico da D. saccharalis ao longo de 15 anos de pesquisa, abrangendo os Estados de Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, tem sido realizado com o principal parasitóide larval dessa praga, a vespa Cotesia flavipes.

 

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