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VESPA ATACA LAGARTA DO MILHARAL

Principal praga das lavouras de milho, a lagarta-do-cartucho continua sendo a maior preocupação dos produtores em todo o País. A redução da produtividade por hectare pode chegar a 35%, com perdas anuais estimadas em US$ 400 milhões. Apesar de o controle químico ainda ser o mais usado, muitos produtores estão aderindo, com sucesso, ao controle biológico, que, além de garantir a colheita, é mais econômico que o convencional. Esta é a primeira vez que o técnico agropecuário Moacir José Rodrigues Júnior usa o controle biológico nas fazendas onde dá assistência agrícola, na região de Santa Helena de Goiás (GO). E o resultado está além das expectativas. "Temos, aqui, muitos problemas com a lagarta. Em alguns casos, precisamos fazer até quatro aplicações de inseticida", diz. Nesta safra, Rodrigues Júnior optou pelo uso da Trichogramma, uma vespinha, inimiga natural da praga. Escolheu algumas fazendas para fazer um teste. "A vantagem é o custo, bem inferior ao dos inseticidas", diz. O custo total de cada aplicação de inseticida é de, em média, R$ 70/hectare. Com a vespa, cai para R$ 20/hectare, "sem agredir o ambiente". Em uma das fazendas, onde são plantados 150 hectares de milho, o proprietário decidiu arriscar e fazer só o controle biológico. "Já começamos a colheita e comprovamos a eficiência, com 125 sacas por hectare." A média de produtividade na região é de 120 sacas/hectare. "Apesar de não ser a melhor fase, entramos com a vespa quando 80% da lavoura já estava infectada. Mesmo assim, o resultado foi excelente." Outro produtor, na mesma região, foi mais cauteloso e optou por fazer uma aplicação de inseticida e só depois entrar com o controle biológico, "o que também foi eficiente", diz Rodrigues. Nesta fazenda, a lavoura ainda está em fase final de frutificação. A colheita deve começar na próxima semana. "Esperamos colher 110 sacas/hectare." E o custo com o combate à praga foi um pouco maior, em torno de R$ 90 por hectare. Segundo o técnico, se o produtor optar só pelo inseticida, o custo do controle da lagarta fica em torno de R$ 245/hectare. O técnico agrícola da Fazenda do Riacho, em Matozinhos (MG), Arlindo Marcelo dos Reis, também conta animado os resultados obtidos com o controle biológico. "Há cinco anos, chegamos a ter 80% da lavoura atacada, com quebra de produção de 20%." Naquela época o controle era feito com produtos químicos não-seletivos. "Fazíamos três aplicações, com custo de R$ 70 por hectare." Na safra 2000/2001, conta Reis, começou a procurar alternativas de controle. "Pensamos em Telenomos, também uma espécie de vespa, e no baculovírus, um vírus da própria larva da lagarta. Usamos produtos seletivos, e até inseticida fisiológico", diz. "Baixamos o custo com defensivo em 55%. Gastávamos R$ 70/hectare. Agora, gastamos R$ 28."

Inimigos naturais já são criados em larga escala

Segundo o entomologista da Embrapa Milho e Sorgo, Paulo Viana, o controle químico ainda é o mais usado pelos produtores. Ele explica que em locais onde se utilizam misturas de produtos, aumento na dose e no número de aplicações, pode-se pensar na possibilidade de ter populações resistentes aos inseticidas. "Em função do desequilíbrio observado em algumas regiões, pela eliminação de inimigos naturais e aparecimento de populações resistentes, as pesquisas com controle biológico têm aumentado no Brasil", destaca Viana. Há vários inimigos naturais da lagarta-do-cartucho e muitos podem ser criados em laboratório, para posteriormente serem liberados na lavoura. "Esses inimigos são importantes reguladores da população da lagarta, como o predador Duru luteipes e os parasitóides Trichogramma spp, Telenomu sp, entre outros", ressalta o entomologista. Os parasitóides atuam sobre os ovos, reduzindo a população da praga antes que ocorram danos significativos para a cultura. O proprietário da Megabio Produtos Biológicos, de Uberlândia (MG), Adalberto Lúcio Borges, é um dos produtores da vespa Trichogramma. "Produzimos 35 milhões de vespas por dia. E tudo é comercializado", garante. Segundo ele, são necessárias 100 mil vespas por hectare (vendidas por R$ 18). "Mas a vespa também controla outras pragas, como a broca da cana, lagarta-da-soja, traça do tomate, entre outras", destaca Borges. "Não há possibilidade de problemas ambientais, ou de provocar uma superpopulação de vespas, pois o ciclo de vida dela é de apenas dez dias. "

Embrapa pesquisa variedade de milho transgênico

Outra linha de pesquisa promissora para o controle da lagarta-do-cartucho é o desenvolvimento de cultivares com resistência genética à praga, ou seja, uma variedade transgênica. As pesquisas da Embrapa, com o milho Bt, estão em nível avançado. Com a aprovação da Lei de Biossegurança, na semana passada, o desenvolvimento deve se acelerar.

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