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LAGARTA DA ESPIGA - PRAGA DA ÉPOCA
Lagarta do milho - Helicoverpa zea - é o nome científico de uma das mais importantes pragas mundiais.
É considerada praga chave na cultura do tomate, algodão e milho.

No milho a mariposa geralmente coloca seus ovos nos estilos-estigmas (cabelo), no entanto a praga pode também colocar os ovos nas folhas de plantas ainda em estádios vegetativos de desenvolvimento. A praga na cultura do milho assume grande importância em função da dificuldade de controle quando o ataque é verificado na espiga. Nos Estados Unidos, especialmente em explorações de milho doce, os agricultores chegam a aplicar inseticidas a intervalos que podem ser de até 24 horas. Essas aplicações, além de aumentar o custo de produção podem ocasionar resíduos tóxicos nos produtos e afetar o meio ambiente, eliminando principalmente os insetos benéficos, como os agentes de controle dessa e de outras pragas que ocorrem na cultura.

Os ovos são colocados individualmente, podendo ser encontrados até 13 por espiga. O período de incubação dura em torno de três dias. As larvas recém-nascidas inicialmente alimentam-se dos cabelos de milho. Dependendo da intensidade de ataque podem ocorrer grandes falhas nas espigas pela não-formação dos grãos. À medida que as larvas se desenvolvem elas caminham em direção à ponta da espiga, onde começam a alimentar-se dos grãos em formação. Especialmente em milho doce, geralmente muito suscetível ao ataque do inseto, a perda pode ser total, pela alimentação em toda a espiga. O inseto passa por seis instares larvais num período de cerca de 28 dias. Quando totalmente desenvolvida a larva sai da espiga e se dirige para o solo, onde se transforma em pupa. O período de pupa dura ao redor de 12 dias, sendo o ciclo total, portanto, ao redor de 40-45 dias. Podem ocorrer durante o ano mais de cinco gerações.

Os danos da lagarta-da-espiga muitas vezes é confundido com os danos da lagarta-do-cartucho, Spodoptera frugiperda. Quando a larva está presente na espiga pode-se separar facilmente as espécies através da coloração da cabeça. A lagarta-da-espiga tem a cabeça de coloração marrom bem clara enquanto a lagarta-do-cartucho apresenta a cabeça quase preta.

A produtividade, o valor e o destino da produção, juntamente com o valor do produto, na maioria das vezes orientam a estratégia de controle da praga. Por exemplo, no caso de lavoura de milho para venda in natura é comum a utilização do controle mecânico, eliminando-se a ponta da espiga com uma faca. Existem equipamentos elétricos ajustáveis que fazem também o mesmo serviço, regulando a altura de corte.
Quando o milho é destinado à produção de sementes, o valor da cultura é muito alto. Nesse caso o controle químico muitas vezes é efetuado através de pulverizações aéreas. No entanto, para que se tenha êxito, o controle deve ser efetuado no início da oviposição e dependendo do fluxo de entrada de mariposas na cultura, repetido a intervalos de dois ou três dias. A determinação precisa do início de infestação é muito importante, pois um atraso na aplicação não propiciará o nível desejado de controle.

Uma vez que a lagarta se encontra protegida dentro da espiga não é mais atingida pelo inseticida. A pulverização via água de irrigação convencional ou via pivô central tem sido também utilizada, porém à semelhança da aplicação aérea, é uma aplicação de grande impacto ambiental por ser uma aplicação em área total, atingindo indiscriminadamente tanto insetos úteis, como as abelhas e outros polinizadores, como os agentes de controle biológico. Portanto, é importante a escolha de um inseticida seletivo. A utilização de ridos com bom empalhamento especialmente em relação a compressão da palha, pode reduzir os danos da praga.De maneira geral a densidade populacional da praga observada em termos de número de ovos por espiga é alta. No entanto, em várias regiões do Brasil o dano final observado é pequeno, em função da presença de inimigos naturais. Existem vários insetos que exercem o controle biológico da praga. Por exemplo a tesourinha (Doru luteipes) é um inseto que coloca seus ovos nas primeiras camadas de palha da espiga. Tanto as formas jovens quanto os adultos alimentam-se de ovos e de larvas pequenas dessa praga. O consumo médio diário de uma tesourinha adulta é em torno de 42 ovos da praga.

Além da tesourinha, é bem conhecido mundialmente a alta taxa de parasitismo de ovos de Helicoverpa zea (lagarta-da-espiga) por Trichogramma, uma vespinha que parasita os ovos de várias espécies de insetos. Hoje em dia, esse parasitóide vem sendo amplamente utilizado na China, França, Estados Unidos, Rússia, Nicarágua e Colômbia, pois, além da sua eficiência no controle pode ser criado de maneira fácil e econômica em laboratório, utilizando hospedeiros alternativos.

A técnica de procriação da vespinha Trichogramma é muito fácil e pode ser produzida pelo próprio agricultor. A fêmea adulta da vespinha coloca seus ovos no interior dos ovos do hospedeiro, podendo parasitar mais de 100 ovos durante sua vida. Todo o desenvolvimento do parasitóide se passa dentro do ovo da praga. O parasitismo pode ser verificado cerca de quatro dias após a postura, pois os ovos parasitados tornam-se enegrecidos. O ciclo de vida do parasitóide é, em média, de dez dias.

A taxa de parasitismo natural pode chegar em algumas regiões a mais de 80%, fazendo com que a praga não ocasione danos significativos ao milho. Obviamente em regiões onde a população da vespinha não está em nível suficiente para controlar a praga, o agricultor pode fazer liberações artificiais, tão logo apareça os primeiros ovos da praga na lavoura. Vários outros inimigos naturais podem ser encontrados na espiga do milho, atuando em maior ou menor escala, dependendo de sua população, sobre ovos e lagartas da praga. Muitas vezes o uso indiscriminado de agrotóxicos (pela época incorreta de aplicação, principalmente quando a praga já se encontra dentro da espiga, pela escolha de um produto muito tóxico e pouco seletivo) pode eliminar todos aqueles inimigos naturais que seriam fundamentais no controle.

Portanto, especialmente em função da dificuldade de controle, a preservação de inimigos naturais e mesmo a sua liberação na lavoura deve ser uma das táticas mais importantes em programas de manejo integrado dessa importante praga da cultura do milho no Brasil.

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