Meio Ambiente

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PASTAGENS X LAGARTAS
Menos pragas onde a biodiversidade mantém em equilíbrio a população de insetos.
Rogério Martins Maurício - Eng. Agron., pesquisador da FUNED, professor da PUC - Betim.

As pastagens, como a maioria das culturas, sofrem com o ataque de pragas como as lagartas curuquerê dos capinzais (Mocis latipes) e militar (Spodoptera frugiperda), consideradas as mais importantes. Elas surgem no início o período chuvoso ou logo após o rebrote das pastagens e podem comprometer seriamente a capacidade de suporte das pastagens, que podem ser consumidas rapidamente, se não forem tomadas medidas de controle.

A curuquerê-dos-capinzais ou "mede-palmo" é um inseto que se alimenta do limbo foliar de várias espécies de gramíneas, deixando apenas as nervuras centrais das folhas, após a infestação. A lagarta possui coloração verde-escura com estrias longitudinais castanho escura.

O inseto adulto é uma mariposa (Ordem Lepidoptera) de hábitos noturnos com asas cinza-escuras. Durante o verão (clima quente e chuvoso) ela coloca os ovos na parte inferior das folhas, geralmente em pontos próximos aos locais onde já ocorreram ataques. Após sete a 12 dias, esses ovos originam lagartas que se alimentam das folhas durante 20 a 25 dias.

Após a fase larval, a lagarta se transforma em pupa (cor pardo clara), instalando-se nas folhas ou na planta próxima ao solo. Estima-se em 1g de matéria seca por ciclo de 20 dias o consumo de uma única lagarta. Assim, 90 lagartas, consomem o equivalente a 1 m2 de área plantada. 70% do consumo ocorre no último período da fase larval, ou seja, nos quatro dias finais, o que demonstra que medidas de controle devem ser iniciadas quando surgem os primeiros sinais de ocorrência da praga, isto é, na fase inicial de crescimento das lagartas.

A lagarta militar, coloração pardo escura com várias estrias e pontos pretos por todo o corpo, também é considerada tão danosa às pastagens quanto a curuquerê-dos-capinzais. Porém, a infestação não é tão freqüente. A mariposa (Ordem Lepidoptera) possui hábitos noturnos e faz a postura dos ovos na parte superior das foIhas. Eles são cobertos com uma substância semelhante a uma camada de algodão. As lagartas alimentam do limbo foliar, preferencialmente da parte central das folhas novas, deixando "buracos" por toda a folha. O período larval dura de 12 a 30 dias e, findo esse período, elas penetram no solo transformando-se em pupas cor avermelhada. No inverno, o período pupal é de 51 dias, no verão de 21, o que explica sua maior ocorrência no período quente do ano.

Para ambas as lagartas, independente do método de controle adotado, o importante é que ele ocorra logo após os primeiros sinais de ataque. O controle físico pode ser feito nas estradas que cortam as pastagens, onde as lagartas se acumulam durante o deslocamento entre áreas. O acúmulo de lagartas viabiliza o combate através da pulverização de produtos químicos de baixa toxidade.

As pastagens são consideradas um agroecossistema formado, na maioria das vezes, por uma gramínea dominante, exótica ou introduzida, a exemplo da braquiária, e espécies nativas (gramíneas, arbusto e arbóreas) e, nesse sistema, os insetos (predadores ou não e outros animais (anus, lagartos e sapos) desempenham papel importante para o seu equilíbrio.

Desta forma, ainda que as lagartas sejam muito susceptíveis ao controle através de Inseticidas, estes não são seletivos e não devem ser empregados, já que eliminam as lagartas e seu inimigos naturais, contribuindo para acentuar o desequilíbrio do agroecossistema. Outro aspecto diz respeito à inviabilidade econômica da aplicação de inseticidas em grandes áreas.

O controle biológico das lagartas pode ser realizado por meio do uso de insetos parasitas de ovos das mariposas da Ordem Lepdoptera, a qual pertencem as duas lagartas. O inseto mais utilizado é Trichogramma minutum (microhimenóptero). Cartelas já produzidas comercialmente com ovos destes insetos, são colocadas estrategicamente nas áreas de pastagens afetadas, para posterior liberação dos Trichogrammas adultos, os quais irão parasitar os ovos das mariposas (Mocis latipes e Spodoptera frugiperda). Este método é considerado, na maioria das vezes preventivo e não curativo.

Outra opção seria o uso do fungo entomógeno (Metarrhizobium anisopliae), que, quando ingerido ou mesmo em contato com as lagartas através de pulverizações, irá parasitar a mesma, levando-a a morte.

O controle biológico das lagartas pode ser feito, também, através de pulverizações com bactérias (Bacillus thuringiensis), que contêm cristais tóxicos em sua constituição. Após a ingestão das bactérias, os cristais são quebrados em fragmentos menores no intestino médio das lagartas, ligando-se a específicos receptores intestinais e levando à morte. A aplicação do fungo ou da bactéria está ligada à análise de viabilidade econômica.

Porém, vale destacar, que desmatamentos, queimadas e a redução da biodiversidade (monocultura) acentuam a diferença entre o agroecossitema e o ecossistema original, levando sempre a desequilíbrios ambientais. Em contrapartida, resultados ainda não comprovados cientificamente demonstram a ocorrência reduzida de pragas em pastagens quando os sistemas silvipastoris (gramíneas e arbóreas) são adotados, ou seja, a biodiversidade mantém em equilíbrio a população de insetos.

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